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Falámos com a fundadora da Munna e Ginger & Jagger
O luxo da criatividade
30 de janeiro de 2019
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O luxo da criatividade
Maria José Martins
Diretora Criativa de Conteúdos

Formada em Antropologia, conta com mais de duas décadas de trabalho na Comunicação Social como jornalista, criadora de conteúdos e autora de ficção. Curiosidade, experiência e imaginação são os ingredientes que não dispensa na vida… e na cozinha.

Para a designer Paula Sousa, o luxo hoje em dia “é muito mais cultura, criatividade e design de autor”.


Foi entre reuniões com clientes e a escrever notas de encomendas com a sua equipa que encontrei na Maison&Objet, Paula Sousa, a fundadora e diretora criativas das marcas Munna e Ginger & Jagger. Talvez ninguém realmente imagine as exigências da presença de uma empresa nas feiras internacionais. Para quem cria e gere um negócio é o conciliar de tudo isto com o atendimento e solicitações constantes dos clientes que vêm de quase todo o mundo e esperam, naturalmente, conhecer pessoalmente e trocar ideias com os artistas que estão por detrás das peças que os seduzem a entrar em cada stand.

No caso da feira de Paris são praticamente 5 dias de trabalho intenso que, segundo a designer portuguesa, ainda são muito importantes para as marcas nacionais se darem a conhecer e se afirmarem lá fora. “A Maison& Objet é uma feira que é bastante importante para as empresas de todo o mundo. Em especial de Portugal. É um trade show que sempre acompanhou as marcas portuguesas e sempre as abraçou de uma forma especial. Acaba por ser uma segunda casa que as marcas portuguesas têm no seu processo de internacionalização. Para a minha marca foi fundamental. Eu fundei a primeira marca, a Munna, em 2008 e passado dois anos decidi investir na M&O. Foi uma forma de começar a posicionar a marca como uma marca portuguesa, tentar absorver informação sobre os consumidores… o que é que eles procuravam, o que é que lhes despertava mais curiosidade, o que é que lhes fazia sentirem-se mais emocionados quando sentiam o contexto de um produto português. Foi claramente uma feira, e continua a ser, fundamental para a nossa internacionalização e essencialmente para a construção de marca”, afirma Paula Sousa.

Uma década depois de ter criado a Munna e com sete anos de presença no mercado com a marca Ginger & Jagger, Paula Sousa é um dos nomes portugueses a ocupar um lugar de destaque no mundo do luxo internacional na exposição de Paris. Não gosta de falar em luxo, considera que a palavra está demasiado usada: “eu sei que nós falamos muito de luxo, mas eu não vou dizer que sou avessa a essa palavra… mas é uma palavra que está muito proliferada, bastante usada! E luxo hoje em dia é muito mais cultura, criatividade, design de autor, eu prefiro empregar essas palavras”. Na sua perspetiva, o verdadeiro luxo é a relação de respeito e de “amor” entre o processo criativo e o talento dos artesãos. É a capacidade de pegar em toda a beleza que a natureza física nos dá… eternizando-a com toda a perfeição numa peça. Uma criação de luxo que levou a Dior a decorar alguns dos ambientes das suas lojas espalhadas pelo mundo com mobiliário e objetos da Ginger & Jagger. Assim como a marca italiana Fendi a escolheu também para decorar a sua flagshipstore e palácio em Roma.

“The hands on” uma tendência que cresce no mercado do luxo

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O caminho que percorreu até hoje tem sido feito sempre num processo colaborativo com as indústrias tradicionais que vão muito além do mobiliário. Há uns anos atrás, quando o setor da ourivesaria passava por uma crise, Paula Sousa desafiou um artesão que dominava as técnicas da joalharia a fazer algumas peças da Ginger & Jagger. “Arriscamos um bocado. Fizemos aqui um teste e um desafio a uma pessoa que produzia unicamente filigrana e joias na zona norte. Eu achava que ele podia dar um salto e fazermos alguma coisa diferente então desafiei-o e disse: vamos fazer jóias em grande formato! Então o artesão percebeu que nesse dia, já com a sua técnica e capacidade e com os anos que tinha de experiência, podia rapidamente adaptar-se aquilo que o mercado mais precisava naquela altura que era o mobiliário. Então surgem algumas peças da Ginger & Jagger que são princípios fundamentais da joalharia, quer na parte de ligação dos metais, na solda… em todos esses princípios, que é o princípio da joalharia ampliado em grande escala para o mobiliário”.

Esta é uma história que Paula Sousa conta para mostrar também a importância de uma mudança de pensamento nos nossos empresários que podem conquistar este mercado da excelência com valor acrescentado, arriscando mais, em projetos criativos inovadores e que tragam uma visão mais colaborativa entre as diferentes indústrias que preservam o craftmanship. Porque o cliente do luxo gosta de se sentir parte do processo. Gosta de colocar a “mão” na sua peça. “Isso vê-se muito também no crescimento anual que tem vindo a ser no nosso segmento de personalização, em inglês diz-se o “The hands on”. As pessoas gostam de colocar a mão no produto, a sua própria identidade e ficam muito contentes por saber como é que as coisas são feitas preocupados até pelo próprio processo. E quando nós falamos que é feito por artesãos que tiveram claramente que dedicar a sua vida a este saber fazer, seja na arte do metal ou da pedra, porque nós trabalhamos todos os materiais, eles perceberem que nós preservamos estas artes no nosso país…de alguma forma também se sentem parte de um ecossistema de sustentabilidade, daquilo que a Europa tem de bom, aquilo que nós somos fortes na europa que é efetivamente a arte, o oficio, a criatividade. Cada vez mais eles se importam. O storytelling é fundamental na construção de marcas no segmento premium, de luxo”, conclui Paula Sousa.

Portugal deixa de ser produtor para ser editor de tendências

Na opinião de Paula Sousa, Portugal tem feito uma evolução notável no setor do mobiliário e mesmo ao nível de outras áreas no mercado internacional. “Nós temos conseguido como país nos reinventar e mostrar a nossa criatividade, e estamos a passar de um paradigma de produtores para um paradigma de editores, o que é fantástico! Eu acredito muito que nós, para competirmos, temos que colaborar, juntar várias áreas, vários segmentos, ir buscar ideias à joalharia, ao calçado, até à indústria da cortiça. Acho que tudo pode ser uma constelação para conseguirmos competir além-fronteiras e mesmo nacionalmente. Acho que é fundamental termos esta perspetiva”.

Não vendemos móveis, mas estilos de vida…


A Munna trouxe o design aliado ao conforto das poltronas e sofás. Já a Ginger & Jagger leva a poesia da natureza para dentro de casa em diversas peças e objetos que vão das mesas à iluminação. Hoje, as duas marcas complementam-se numa oferta de ambientes de sala e quarto que são um modo de sentir e viver. “As marcas neste setor têm que se afirmar como marcas de lifestyle, de estilo de vida. As pessoas têm que perceber como é que as marcas podem funcionar em conjunto e que estilo de vida elas lhes podem estar a demonstrar. Se é alguém mais relaxado, alguém mais casual, alguém mais clássico… e os ambientes, eles próprios, contam histórias. Quando nós estamos a fornecer mobiliário estamos a criar um estilo de vida para a pessoa e uma forma de ela própria habitar a casa… apresentarmo-nos com este tipo de conceito é fundamental porque a pessoa entra numa atmosfera de como poderia viver dentro de um ambiente Munna ou num ambiente Ginger & Jagger”. Atualmente as duas marcas são distribuídas em 64 países, em alguns mercados diretamente em outros através de parceiros locais e agentes. “Nós utilizamos principalmente as feiras setoriais para nos darmos a conhecer, combinando um trabalho de marketing e de assessoria de imprensa feito em Portugal em que falamos com vários jornalistas ativamente e com quem temos uma relação muito próxima. É uma forma de posicionarmos a marca e de nos mostrarmos no mercado. E é através daí que vem os nossos clientes, os nossos consumidores, juntamente com o nosso website e alguma estratégia de envio de newsletters. Temos tido um crescimento constante de 20%, sendo que o ano passado, fechámos o ano com um crescimento de 15% e atingimos 3.8 milhões de euros de faturação”, explica Paula Sousa, que além de ter a responsabilidade criativa teve de se familiarizar cada vez mais com estes números e os desafios da gestão.


O surf é um dos desportos que gosta de praticar e é nas ondas que muitas vezes se vai inspirar. Ao longo da nossa conversa, que partilhamos aqui na integra, Paula Sousa esteve sempre de sorriso aberto, revelando constantemente a sua simpatia genuína. Um nome de luxo!


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