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O mundo está louco; os media estão loucos e nós estamos loucos por melhores dias. A conquista da terra, o poder absoluto, a demagogia, a pós-verdade acinzentam o nosso tempo e o futuro tende a escrever-se para trás, ignorando as lições da história e sem réstia de vergonha, pudor ou ressentimento.
Violência, ódio e intolerância são o mote principal das notícias que alimentam o triste quotidiano que se vai edificando.
A “trampa-ização[*]” do mundo, no meu português, contamina a espuma dos dias e resulta numa invasão de notícias que preocupam quem tem memória e que entusiasmam quem a não tem. Entre umas e outras histórias piores do que as outras, a indignação não tem tempo para reagir e assim se vai silenciando.
A demagogia assenta deliberadamente num mundo injusto, onde o local de nascimento determina o valor de uma pessoa, onde o sexo, a cor da pele, concede privilégios ou castigos, onde fronteiras definem quem merece oportunidades e quem está condenado a sofrer.
Há um ataque iminente à realidade –negar a verdade tornou-se tão relevante como o seu contrário. Verdade e mentira surgem como faces da mesma moeda, factos, “factos alternativos”, dogmas, teorias da conspiração coexistem na discussão pública. Os factos objetivos têm menos influência na formação da opinião pública do que emoções e crenças pessoais e as narrativas baseadas em sentimentos e ideologias tornaram-se mais persuasivas do que dados concretos. A verdade é um campo de batalha, minado pela distorção dos acontecimentos para servir interesses particulares.
Passo a passo caminhamos pelas trevas desesperando por melhores notícias.
Neste contexto, os profissionais de comunicação não se podem limitar a promover boas notícias; têm de lutar por elas. As boas notícias não servem apenas como distração da dura realidade, são também uma força contra ela. Para combater narrativas manipuladas, a verdade é uma arma poderosa, pelo que contar histórias baseadas em factos e com honestidade é um ato de resistência.
A humanidade deve prevalecer ao espetáculo, as pessoas esperam histórias reais de resiliência, justiça e esperança, não mensagens corporativas vazias.
As boas notícias são parte da solução, cada notícia positiva é ao mesmo tempo uma lufada de ar fresco de esperança e um choque frontal contra o obscurantismo.
Num tempo de guerra, mentiras e ganância, comunicar boas notícias não é apenas uma atividade de relações públicas—é uma luta pelo mundo em que queremos viver.
Mas como poderão os profissionais de comunicação interferir e despertar a atenção dos media para as boas notícias?
Relacionando as boas notícias com narrativas maiores enquadradas como respostas ou soluções para desafios predominantes em vez de eventos isolados.
Apostando em narrativas humanas, histórias pessoais, pessoas reais e conexões emocionais que se conseguem destacar pela positiva. O sucesso, a iniciativa ou a inovação de uma empresa melhora vidas e os jornalistas e as audiências respondem melhor às narrativas com esse impacto.
Alinhando-se com as prioridades atuais dos media, as redações ainda procuram equilíbrio – as histórias surgem como soluções para problemas em curso, tornando-as oportunas e relevantes.
Promovendo conteúdos envolventes e partilháveis como vídeos, bastidores, histórias de sucesso que permitam contornar os intermediários.
Envolvendo e adaptando os conteúdos para os media locais e de nicho, pois enquanto os meios nacionais se focam nas crises, os media locais e específicos do setor estão muitas vezes mais recetivos a desenvolvimentos positivos.
Não podemos ignorar as realidades negativas, mas podemos demonstrar como as boas notícias se podem enquadrar num contexto mais amplo—oferecendo esperança, inovação e soluções.
[*] Chamemos de "trampa-ização" o processo pelo qual a política se degrada, tornando-se um espetáculo de populismo barato, desinformação e ataques às instituições.
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