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A opinião de Miguel Caeiro
PORTUGAL, de descobridor a descoberto
12 de fevereiro de 2018
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Mais de 500 anos depois Portugal volta a estar na moda.

Meio século atrás Portugal descobria o Mundo, construía um Império, espalhava cultura, tradições, religião e mudava de forma irrevogável a geografia das rotas comerciais e fluxos migratórios.


Pulando uns séculos, a partir de 1950, assistimos a uma onda migratória bem especifica, de mão de obra, na sua grande maioria, não qualificada, que deixava para trás um Portugal muito atrasado, rural, sem infra estruturas, com baixíssimos índices de educação, raras oportunidades de emprego e que não lhes deixou saudades.

Espalhados pelos 4 cantos do globo, do Canadá à África do Sul, de Bruxelas a Venezuela, de Newark a Paris, de Geneva a São Paulo, os Portugueses instalaram-se, criaram raízes, comunidades, trabalharam muito, mesmo muito, e em inúmeros casos venceram, criaram fortuna, famílias e ainda mais raízes.

Numa época sem Internet, sem os meios de comunicação de hoje, a imagem que tinham de Portugal na sua partida acaba por ser o testemunho que vão deixando e repassando. Em muitos casos esse testemunho é “agravado” pelos tours da saudade dos artistas que vencem nesses círculos como Linda de Suza, Roberto Leal, Marco Paulo, entre tantos outros.

Durante anos e anos os grandes embaixadores de reconhecimento eram a Amália e o Eusébio.

Depois vieram as décadas de 80 e 90, da prosperidade, dos dinheiros da Comunidade Europeia, dos Jipes, das autoestradas, da Expo98, dos Yuppies, do ressurgimento de Grupos Empresariais, do surgimento e crescimento exponencial dos Grupos de Media, das Televisões Privadas, da publicidade em expansão, da solidificação das Multinacionais no Pais.

Durante a década de 90 tive a oportunidade de viajar bastante profissionalmente, e ser testemunha de que, com honrosas exceções, ninguém conseguia localizar Portugal no mundo, não conhecia nem fazia tenções de visitar. Muitas vezes tive que elucidar que não, não éramos uma cidade de Espanha, não ficávamos na América Latina, nem em África.

No inicio do novo século, consolidou-se o crescimento dos Grupos Económicos nascidos ou renascidos no pós-revolução e os consolidados na sequência das privatizações, como a Portugal Telecom. Portugal voltou a sonhar grande, tentou ganhar territórios, expandir negócios, ganhar novas geografias, voltar a ser do mundo. Mas tinham sido muitas gerações a olhar para dentro, fechados num ecossistema teimoso, pouco receptivo a mudança, pouco aberto a inovação e a novas culturas, e grande parte dessas empreitadas falhou redondamente, obrigando a recuos estratégicos.

No final da década, aproximaram-se os ventos da crise, consolidada e com vigor no inicio da década seguinte, deixando magoas, marcas e consequências.

Mas eis que na adversidade os Portugueses souberam mais uma vez reinventar-se e criar e abraçar novos ventos, novas oportunidades, olhar mais a frente e desenhar um novo caminho de futuro.

Agarrando a oportunidade do mercado imobiliário, principalmente na reabilitação do fantástico património urbano, aderindo em massa aos novos regimes de arrendamento de curto prazo, as novas plataformas digitais, temperada com um programa oportuno de “Vistos Gold”, resultando numa verdadeira corrida ao “ouro” das oportunidades, tendo como consequência o renascimento dos velhos e abandonados centros históricos das cidades.

E acima de tudo, fruto simultâneo de esforços estratégicos importantes ao nível político, de investimento ponderado e sério de poucos mas bons grupos empresariais privados, e de um contexto internacional favorável, o Turismo surgiu como a derradeira bóia de salvação de uma economia recém saída de um programa agressivo de resgate pelo FMI, despontando a ritmos tão avassaladores que num ápice se passou a discussão para o extremo oposto do “excesso de turismo”.

Em pano de fundo, surgiam novas caras, novos triunfos, novos sucessos, novas vitórias, novas conquistas, que, salpicadas neste cocktail explosivo, davam novas vidas a este velho retângulo a beira mar plantado.

Cristiano Ronaldo, Mariza, Mourinho, Joaquim de Almeida, Sara Sampaio, Daniela Ruah, Ricardo Pereira, Joana Vasconcellos, Salvador Sobral, entre outros, levaram o nome de Portugal mais longe com conquistas importantes no desporto, entretenimento, artes.

Na Política, ganhamos protagonistas no xadrez Europeu e Mundial, Durão Barroso, António Guterres, Carlos Moedas, Vítor Centeno, entre outros, ganharam as headlines Internacionais.

Voltámos a ser um Pais de emigrantes, mas desta vez exportamos talento, muito talento, ganhamos mobilidade, demos novos mundo as novas gerações. Temos hoje profissionais de reconhecido mérito espalhados pelo mundo, verdadeiros embaixadores da Portugalidade, da nova lusofonia, que mantém laços fortes com Portugal. António Horta Osório, António Simões, Carlos Tavares, Sérgio Abreu, Ricardo Monteiro, Pedro Pina, Nuno Teles, Sónia Penim, Ricardo Marques, Raul Simão, entre tantos outros, ocupando posições de enorme responsabilidade, com orçamentos sob sua gestão por vezes superiores ao PIB de Portugal.

Com todos estes ingredientes, tivemos excelentes gestores nos pelouros do Turismo, da promoção do Investimento Externo, que souberam “cavalgar esta onda” e tornar Portugal a nova coqueluche do Turismo, dos Media e das Celebridades mundiais.

Madonna a morar em Lisboa, Harrison Ford a seguir, especula-se sobre Bill Gates, tudo isto é hoje plausível. Na minha juventude o máximo a que ambicionávamos era saber que Bryan Adams e Ayrton Senna tinha casas no Algarve (informação até hoje por confirmar...).

Vinte anos depois, ao viajar pelo mundo, e morando em outro continente, sou testemunha viva de que o grau de visibilidade, conhecimento e interesse por Portugal disparou para uma escala antes impensável.

Cabe agora aos Portugueses, uma vez mais, agarrar esta incrível oportunidade e moldar as próximas décadas de possível crescimento económico, prosperidade e desenvolvimento, saindo definitivamente das fronteiras terrestres de Portugal para o mundo.


“O Homem é do tamanho do seu sonho”
Fernando Pessoa



PORTUGAL, de descobridor a descoberto
Miguel Caeiro
Co-Founder e CEO SKORR

Mais de 500 anos depois Portugal volta a estar na moda.

Meio século atrás Portugal descobria o Mundo, construía um Império, espalhava cultura, tradições, religião e mudava de forma irrevogável a geografia das rotas comerciais e fluxos migratórios.


Pulando uns séculos, a partir de 1950, assistimos a uma onda migratória bem especifica, de mão de obra, na sua grande maioria, não qualificada, que deixava para trás um Portugal muito atrasado, rural, sem infra estruturas, com baixíssimos índices de educação, raras oportunidades de emprego e que não lhes deixou saudades.

Espalhados pelos 4 cantos do globo, do Canadá à África do Sul, de Bruxelas a Venezuela, de Newark a Paris, de Geneva a São Paulo, os Portugueses instalaram-se, criaram raízes, comunidades, trabalharam muito, mesmo muito, e em inúmeros casos venceram, criaram fortuna, famílias e ainda mais raízes.

Numa época sem Internet, sem os meios de comunicação de hoje, a imagem que tinham de Portugal na sua partida acaba por ser o testemunho que vão deixando e repassando. Em muitos casos esse testemunho é “agravado” pelos tours da saudade dos artistas que vencem nesses círculos como Linda de Suza, Roberto Leal, Marco Paulo, entre tantos outros.

Durante anos e anos os grandes embaixadores de reconhecimento eram a Amália e o Eusébio.

Depois vieram as décadas de 80 e 90, da prosperidade, dos dinheiros da Comunidade Europeia, dos Jipes, das autoestradas, da Expo98, dos Yuppies, do ressurgimento de Grupos Empresariais, do surgimento e crescimento exponencial dos Grupos de Media, das Televisões Privadas, da publicidade em expansão, da solidificação das Multinacionais no Pais.

Durante a década de 90 tive a oportunidade de viajar bastante profissionalmente, e ser testemunha de que, com honrosas exceções, ninguém conseguia localizar Portugal no mundo, não conhecia nem fazia tenções de visitar. Muitas vezes tive que elucidar que não, não éramos uma cidade de Espanha, não ficávamos na América Latina, nem em África.

No inicio do novo século, consolidou-se o crescimento dos Grupos Económicos nascidos ou renascidos no pós-revolução e os consolidados na sequência das privatizações, como a Portugal Telecom. Portugal voltou a sonhar grande, tentou ganhar territórios, expandir negócios, ganhar novas geografias, voltar a ser do mundo. Mas tinham sido muitas gerações a olhar para dentro, fechados num ecossistema teimoso, pouco receptivo a mudança, pouco aberto a inovação e a novas culturas, e grande parte dessas empreitadas falhou redondamente, obrigando a recuos estratégicos.

No final da década, aproximaram-se os ventos da crise, consolidada e com vigor no inicio da década seguinte, deixando magoas, marcas e consequências.

Mas eis que na adversidade os Portugueses souberam mais uma vez reinventar-se e criar e abraçar novos ventos, novas oportunidades, olhar mais a frente e desenhar um novo caminho de futuro.

Agarrando a oportunidade do mercado imobiliário, principalmente na reabilitação do fantástico património urbano, aderindo em massa aos novos regimes de arrendamento de curto prazo, as novas plataformas digitais, temperada com um programa oportuno de “Vistos Gold”, resultando numa verdadeira corrida ao “ouro” das oportunidades, tendo como consequência o renascimento dos velhos e abandonados centros históricos das cidades.

E acima de tudo, fruto simultâneo de esforços estratégicos importantes ao nível político, de investimento ponderado e sério de poucos mas bons grupos empresariais privados, e de um contexto internacional favorável, o Turismo surgiu como a derradeira bóia de salvação de uma economia recém saída de um programa agressivo de resgate pelo FMI, despontando a ritmos tão avassaladores que num ápice se passou a discussão para o extremo oposto do “excesso de turismo”.

Em pano de fundo, surgiam novas caras, novos triunfos, novos sucessos, novas vitórias, novas conquistas, que, salpicadas neste cocktail explosivo, davam novas vidas a este velho retângulo a beira mar plantado.

Cristiano Ronaldo, Mariza, Mourinho, Joaquim de Almeida, Sara Sampaio, Daniela Ruah, Ricardo Pereira, Joana Vasconcellos, Salvador Sobral, entre outros, levaram o nome de Portugal mais longe com conquistas importantes no desporto, entretenimento, artes.

Na Política, ganhamos protagonistas no xadrez Europeu e Mundial, Durão Barroso, António Guterres, Carlos Moedas, Vítor Centeno, entre outros, ganharam as headlines Internacionais.

Voltámos a ser um Pais de emigrantes, mas desta vez exportamos talento, muito talento, ganhamos mobilidade, demos novos mundo as novas gerações. Temos hoje profissionais de reconhecido mérito espalhados pelo mundo, verdadeiros embaixadores da Portugalidade, da nova lusofonia, que mantém laços fortes com Portugal. António Horta Osório, António Simões, Carlos Tavares, Sérgio Abreu, Ricardo Monteiro, Pedro Pina, Nuno Teles, Sónia Penim, Ricardo Marques, Raul Simão, entre tantos outros, ocupando posições de enorme responsabilidade, com orçamentos sob sua gestão por vezes superiores ao PIB de Portugal.

Com todos estes ingredientes, tivemos excelentes gestores nos pelouros do Turismo, da promoção do Investimento Externo, que souberam “cavalgar esta onda” e tornar Portugal a nova coqueluche do Turismo, dos Media e das Celebridades mundiais.

Madonna a morar em Lisboa, Harrison Ford a seguir, especula-se sobre Bill Gates, tudo isto é hoje plausível. Na minha juventude o máximo a que ambicionávamos era saber que Bryan Adams e Ayrton Senna tinha casas no Algarve (informação até hoje por confirmar...).

Vinte anos depois, ao viajar pelo mundo, e morando em outro continente, sou testemunha viva de que o grau de visibilidade, conhecimento e interesse por Portugal disparou para uma escala antes impensável.

Cabe agora aos Portugueses, uma vez mais, agarrar esta incrível oportunidade e moldar as próximas décadas de possível crescimento económico, prosperidade e desenvolvimento, saindo definitivamente das fronteiras terrestres de Portugal para o mundo.


“O Homem é do tamanho do seu sonho”
Fernando Pessoa



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